O termo Gamification é uma das palavras mais pronunciadas quando o assunto é tornar a aprendizagem efetiva, divertida e engajadora. Mas poucos realmente sabem como aplicar este novo conceito em prática.

Um game é um sistema no qual jogadores se engajam em um desafio, definido por regras, interatividade e feedback. E que gera um resultado quantificável frequentemente elicitando uma reação emocional.

Gamification é o uso adequado da mecânica, estética e pensamento de games para criar experiências de aprendizagem engajadoras que motivem seus alunos a agir e resolver problemas.

Gamification não significa o uso de joguinhos durante seu treinamento. Em outras palavras, Gamification e o uso de jogos não são a mesma coisa.

Há grandes chances de você ter vivenciado uma experiência de gamificação sem se dar conta disso. Quando você faz compras com seu cartão de crédito e acumula pontos em um programa de milhagem para voar, isto é Gamification.

Gamification se tornou uma prática de alavancagem de diversos negócios e não podemos ignorar o poder que os games exercem sobre as pessoas. Afinal, quem nunca passou horas jogando sem perceber o tempo passar?

Se você compreender os aspectos da psicologia e as estruturas motivacionais envolvidas nos jogos, sem dúvida, terá as ferramentas certas para promover maior engajamento dos seus alunos e criar um treinamento de sucesso.

Importante: Não existe gamificação no mundo que prenda atenção do seu aluno se você continuar insistindo em apresentações de PowerPoint extremamente chatas. Ninguém presta atenção nisso.

Você não precisa ser chato e monótono para criar uma aula ou treinamento eficaz. Gamification não irá resolver todos os seus problemas, mas se a estrutura do seu game estiver bem montada, testada e ajustada (diversas vezes), então com certeza você terá encontrado a melhor didática do seu treinamento.

Não se engane em pensar que ter pontuações, níveis, fases, distintivos e placares são suficientes para transformar um treinamento cansativo em um material atraente. Fuja desta armadilha.

Gamification não é aplicável apenas com o uso de tecnologia, muito pelo contrário.

Você vai precisar demonstrar entusiasmo e dominar a arte de motivar seus alunos. Sempre reforçando a recompensa final do seu treinamento na mente dos seus aprendizes. Como costumo dizer, ninguém gosta de fazer abdominais mas todos querem uma barriga de tanquinho.

Seu ambiente de Gamification deve se materializar nas formas mais primitivas desde uma vinheta de introdução no seu vídeo e um final com uma chamada para ação incentivando seu aluno a conquistar os pontos necessários para passar de fase.

Bora pra um exercício prático então?

Pegue seu celular do bolso, destrave e abra a loja de aplicativos (Google Play Store ou App Store). Entre na seção de jogos e baixe o jogo mais popular. Jogue bastante, mas com uma visão analítica de todos os aspectos do jogo.

Quase todos os jogos de sucesso compartilham as mesmas características:

  • Tela de carregamento que familiariza o jogador com o cenário e os personagens
  • Demonstração rápida de uma partida sendo jogada
  • Dispensa explicações complicadas para entender o objetivo do jogo
  • Indicações sobre seu progresso e etapa concluída com sucesso
  • Instruções claras sobre o que precisa ser feito
  • Fator competição inserido no discurso

Agora pense no seu último treinamento. Quanto tempo ou slides você precisou dedicar para explicar aos seus alunos o que deveria ser feito?

Uma experiência rápida de 10 minutos em qualquer joguinho popular de celular pode trazer insights poderosos para a criação do seu material didático. Como disse anteriormente, não jogue por entretenimento, busque compreender a intenção em cada cena do jogo.

Pode parecer óbvio mas reflita sobre isso: cada fase é uma continuação da fase anterior. Você só sabe que está na próxima fase porque o cenário mudou, seus pontos aumentaram e ganhou ao menos um parabéns!

Pergunta: Você deixa claro o progresso do seu aluno na introdução dos seus vídeos? Deu os parabéns por ter concluído a tarefa anterior? Suas aulas tem um objetivo simples de aprendizagem ou está ensinando diversos assuntos aleatoriamente?

Talvez essas observações soem óbvias para educadores profissionais. O fato é que dar feedback sobre a evolução em relação ao objetivo das suas aulas ajudam os alunos a se comprometerem com os exercícios e perseguir os resultados prometidos.

Tudo isso contribui para mudança de comportamento.

Assim como nos filmes de Hollywood, jogos também contam histórias. A narrativa do seu jogo deve estar conectada com o valor mais evidente que você prometeu entregar. Cada aula deve ser parte de um jogo amplo e não um fim em si.

Lembre-se: Projete seu jogo no resultado final que seu aluno deseja obter. Trabalhe de trás para frente a partir dessa promessa e projete cada fase por meio de feedbacks mirando naquilo que você deseja que seu aluno faça.

Seu aluno deve sair do ponto A e ir para o ponto B sem muitas frustrações e aborrecimentos ao ponto de desistir ou ficar procrastinando semanas para continuar assistindo seu conteúdo.

Foque na DIVERSÃO.

O desafio é a mola propulsora que mobiliza o jogo. Um jogo acaba se tornando sem graça quando o desafio deixa de existir. Você precisa criar metas que desafiem seu aluno a atingir os resultados e se superar.

Não será um sistema de perguntas e respostas de múltiplas escolhas que resolverá este problema.

Nada disso depende de tecnologias ultra mega avançadas. Apenas da sua imaginação para curtir a vida e jogar. Lembre-se de quando você era criança e brincava com jogos de tabuleiro ou cartas.

Pare por alguns minutos e contemple esses ingredientes no seu projeto.

Não importa como será o meio de entrega. O que está em jogo é como seu novo projeto será desenhado. Talvez até dispense o uso de tecnologias. Seu jogo precisa ter 4 elementos para funcionar: metas, regras, sistema de feedback e participação voluntária.

  • Uma meta clara esperada que seu aluno cumpra em um tempo específico.
  • Regras objetivas de como chegar ao resultado específico, limitando as maneiras óbvias (ou possíveis trapaças) estimulando a exploração de outros caminhos.
  • Um sistema de feedback (correção de exercícios ou accountability entre alunos) que funcione como uma garantia de que a meta é atingível, e assim, oferecendo motivação para seus alunos continuarem progredindo no curso.
  • A participação voluntária é imprescindível para as metas serem cumpridas sob as regras definidas, tempo estipulado e com feedback constante.

O pensamento de jogos consiste em pensar sobre um problema ou atividade do dia a dia e convertê-la em uma atividade que contenha os elementos dos jogos como competição, cooperação, exploração, premiação e storytelling.

A ideia não é transformar qualquer problema em um jogo. Sugiro que use outros games como referência de modelagem do seu jogo, encontre elementos que podem melhorar uma experiência sem desconsiderar o contexto do seu conteúdo.

Aprenda a partir da psicologia humana e a partir do design dos games.

Experiência é a forma como você se sente quando joga. Experiência e games não são a mesma coisa. É a combinação de elementos dos games que promovem a experiência como regras, estética e uma boa narrativa.

Sem uma história que crie significado para o aluno, a credibilidade do sistema gamificado fica prejudicada e a motivação para o engajamento deixa de existir porque perde a relevância. Foque na construção de um STORYTELLING forte.

Continuamos no próximo artigo dessa série sobre Gamification.